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CARTA À POPULAÇÃO | PRESIDENTE

Caras e Caros Moscavidenses e Portelenses,

É nos momentos de maior dificuldade que as comunidades se tornam mais próximas, mais solidárias e se superaram.

Hoje dirijo-me a todos enquanto presidente da Junta de Freguesia de Moscavide e Portela, mas também e acima de tudo, como cidadão com orgulho da comunidade a que pertenço: A nossa.

Fomos brutalmente atingidos por uma pandemia global originada por um vírus que não conhecemos, sem tratamento e ainda sem uma vacina eficaz. A brutalidade do desconhecido abanou os alicerces de um modo de vida e interrompeu a normalidade da nossa forma de estar. A única forma de combate é: proteção. A defesa é: distanciamento. A inevitabilidade da mudança de comportamento rompeu com as nossas tradições. Os abraços ficaram por dar. As festas por se fazer. Os sorrisos escondidos por máscaras.

Todos nós, cidadãos, fomos chamados a assumir as nossas responsabilidades. A nossa missão: defendermo-nos e defender os outros.

Fomos capazes de nos distanciarmos. Fomos capazes de ver mais além e conseguimos, até agora, evitar que o impacto brutal de uma pandemia desta escala resultasse em enormes perdas de vidas humanas, como assistimos em países como Espanha, Itália, Bélgica ou Suécia, apenas para citar países que nos são próximos.

Mudámos de vida e, enquanto comunidade, fomos capazes de evitar – até agora – o pior.

Mas isto ainda não terminou. Sabemos hoje mais que ontem, mas o desconhecido ainda nos obriga a cuidados redobrados. Os riscos continuam a ser vários, importantes e, por isso, devemos continuar a exigir-nos o melhor de nós.

Sei que continuaremos a ser capazes!

Se é nestes momentos que se percebe a força de uma comunidade, é também nestes momentos que se deve ver a capacidade das organizações públicas e a qualidade das decisões.

A Junta de Freguesia de Moscavide e Portela orientou a sua ação para responder às prioridades e, acima de tudo, com uma preocupação afirmativa e central: AS PESSOAS!

Fomos os primeiros e pioneiros a decidir encerrar espaços e atividades, a desenvolver respostas para as pessoas mais frágeis, a assegurar serviços fundamentais para todos aqueles que necessitavam de bens ou serviços básicos. Tentámos evitar redes de contágio, protegemos, defendemos, apoiámos, estivemos no centro do espaço que é de todos e na primeira linha de defesa da nossa comunidade.

Reduzimos todas as atividades não essenciais ao mínimo, concentrando toda a nossa energia numa resposta exigente, complexa e de grande importância. Fomos onde as pessoas não podiam ir. Estivemos onde as pessoas não deviam estar. Fizemos tudo o que pudemos para que as pessoas não fossem obrigadas a expor-se a riscos desnecessários.

Continuamos a estar. Continuamos a fazer.

Em política há decisões que custam a tomar, porque são impopulares, porque não resultam em qualquer vantagem eleitoral imediata ou futura. Decisões que exigem coragem e determinação. Decisões muito difíceis porque não se traduzem em popularidade. Cancelar ou adiar momentos que significam alegria, de dinamismo, de crescimento económico para os pequenos empresários. Mas a política sem pessoas não tem interesse. Na balança as pessoas e a saúde das pessoas devem ser sempre o primeiro valor. A política se não for orientada para o bem comum e para as pessoas, é uma simples soma de interesses. Recusámos a ser empurrados para decisões que outros vieram a tomar tarde demais. Assumindo o risco, fomos pioneiros mesmo sendo impopulares ou incompreendidos. Ainda hoje se levantam dúvidas quanto às restrições que mantemos. As notícias dos últimos dias vieram uma vez mais, dar-nos razão na prudência com que decidimos!

Interrompemos programas tão importantes para os nossos séniores ou para os nossos jovens. Cancelámos festas e eventos culturais que são já uma imagem de marca desta freguesia. Adiámos intervenções em espaço público, obras, investimentos. Porque as pessoas estavam, estão e sempre estarão em primeiro lugar.

Essa continua a ser a nossa imagem de marca e o rumo e regra da nossa estratégia.

Todos os recursos foram mobilizados para o apoio social, para que ninguém se sentisse só, marginalizado. A todos fomos dizendo: Nós fazemos por si. Nos vamos por si. Nós estamos aqui por si.

Sem populismos. Sem discursos para as primeiras páginas. Sem alarmismos. O nosso compromisso é com a verdade, com a honestidade e com a sinceridade em todos os momentos.

E ninguém ficou para trás!

O Plano de Contingência da Junta de Freguesia de Moscavide e Portela foi e é o mais vasto conjunto de ações na Área Metropolitana de Lisboa, sendo renovado a cada 15 dias, e o primeiro a ser implementado de forma plena, porque percebemos que esse era o nosso papel, o nosso contributo e a nossa missão: Porque as pessoas estão em Primeiro Lugar.

Este é um mandato autárquico difícil e exigente. À situação financeira herdada, que nos inibiu para investimentos necessários e que tem vindo com esforço de todos a ser resolvida, juntamos agora a situação resultante de uma pandemia que adiou ou impediu obras e intervenções já lançadas ou em fase de concretização.

A pandemia obrigou-nos a aumentar as despesas e reduziu dramaticamente as receitas. Mas as pessoas não são uma despesa. As pessoas serão sempre o investimento mais importante e não números.

Um mandato autárquico em que conseguimos motivar uma equipa de funcionários e assim conseguir ter a melhor equipa de todas, em que todos contam e todos fazem a diferença.

Um mandato autárquico que fica marcado pela perda irremediável de um elemento do executivo que nos chocou a todos. Um mandato autárquico que nos pediu mais rigor, mais trabalho, mais compromisso, mais atenção de que um mandato normal. Este é um mandato que nos marcará a todos, mas que queremos continuar a sublinhar pela capacidade de todos os cidadãos desta freguesia. As pessoas em primeiro lugar, mas as nossas pessoas são de facto do melhor que há.

O envolvimento dos cidadãos na vida da nossa freguesia é hoje bem diferente daquele que encontrámos em 2017. Estamos mais exigentes, mais críticos, mais capazes de ver o que está mal, com uma enorme vontade de melhorar, de sugerir, de fazer acontecer. De uma comunidade adormecida na rotina, temos hoje uma freguesia com massa crítica, comprometida com o espaço coletivo. Nas redes sociais ou na rua, na porta a porta à comunicação direta e indireta, as pessoas hoje não se inibem de dizer o que pensam, de criticar e de elogiar. De pensar. Esse é o maior mérito de todos e é de todos. Nosso!

Apesar de todas as limitações, sem desculpas e com trabalho, conseguimos realizar até hoje cerca de 70% do que nos propusemos fazer em 2017. Mas queremos ir mais longe. As alterações causadas pela situação atual repercutiram-se nas nossas prioridades mas não nas nossas vontades ou determinação e convicções. Não baixaremos os braços. A Pandemia acabará por ser vencida e nós cá estaremos para retomar o projeto que assumimos: Fazer desta freguesia um território moderno, inovador, inclusivo e voltado para o futuro.

Porque não haverá pandemia que nos roube a esperança e o futuro, sei que seremos capazes.

Porque o rigor e a vontade de fazer continuam a ser a nossa energia. Porque a força de uma comunidade que tem provado, dia após dia, se capaz de se superar. Porque o muito que fizemos juntos, não esconde o imenso que queremos continuar a fazer, as pessoas continuarão a estar em primeiro lugar.

Mas até lá, defenda-se. Proteja-se. Sejamos uma comunidade inteligente, envolvida, capaz do mais nobre gesto de solidariedade: ajudar quem precisa.

Vamos Juntos. Primeiro as Pessoas!

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