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TEMA: UMA CIDADE LIGADA

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A implementação dos novos “passes” de transportes públicos a preços reduzidos, traduziu-se numa “revolução” ao nível do transporte público na Área Metropolitana de Lisboa, com aumentos significativos de passageiros (+15%, média) em praticamente todas as linhas e meios. Hoje é, acima de tudo, mais barato utilizar o transporte público.

Porém, importa olhar para os progressos e o sucesso desta medida com a consciência crítica que nos permite e obriga a melhorar, designadamente na questão da diferenciação injusta na nossa freguesia com prejuízo para os residentes na Portela.

Os desafios em matéria de transporte público situam-se hoje num patamar diferente daqueles que estiveram na base da implementação de novos preços e tarifas. Hoje importa olhar para o transporte público como um vetor essencial da política de cidades, um elemento fundamental da coesão territorial, social e económica e um fator primordial na política ambiental.

É nesta visão de Cidade alargada que queremos situar a Freguesia de Moscavide e Portela e é nesse compromisso que a Junta de Freguesia está fortemente empenhada.

Se é hoje claro que o acréscimo da procura acabou por demonstrar a ineficácia e pouca eficiência dos sistemas de transportes metropolitanos, é também de antecipar que caso persistam erros do passado, as ruturas irão perdurar condenando a política de transportes ao insucesso. Os dados são claros e, não sendo alarmantes, levam-nos a olhar para o tema com espacial cautela, partindo de uma ideia central e inicial: O transporte público deve ser o meio principal de deslocação dos cidadãos na e para a Cidade.

É na definição de Cidade que podem ocorrer algumas divergências de entendimento. Para nós a Cidade já não é o território administrativamente dividido e não há um espaço de fronteira que nos “separe”. Se a Cidade das décadas de 60 e 70 era facilmente identificável no Jardim de Entrecampos, ou nos Bairros típicos de Marvila, hoje a expansão desse território da cidade faz com que a mesma se prolongue até Vila Franca de Xira, Sintra, Loures, Mafra ou Cascais. A Cidade de Lisboa vai até onde as pessoas vivem.

Nos concelhos limítrofes de Lisboa residem hoje 1 milhão e 300 mil pessoas, o que representa quase 3 vezes mais cidadãos de que os habitualmente residentes em Lisboa (500 mil). Esta realidade traduz a imperiosa necessidade de os transportes públicos alargarem a sua cobertura e assegurarem vias de movimento pendular que façam face às necessidades dos cidadãos nos seus movimentos diários. É neste contexto que os meios de transporte pesado (metropolitano e comboio) assumem um papel determinante e nos convocam para uma pergunta essencial: As redes existentes respondem às necessidades desta Cidade alargada?

A resposta é, naturalmente, não!

Decorre atualmente um concurso público internacional para a aquisição de transportes públicos no valor de mil e duzentos milhões de euros. É um passo importante que vai representar um aumento de 40% na oferta de transporte público, porém esse acréscimo situa-se apenas no transporte rodoviário. Se a medida se aplaude pela ambição, não se pode deixar de considerar limitada no seu alcance, pois assume que o transporte rodoviário se manterá como peça central na Área Metropolitana de Lisboa. A nossa visão vai para além desse aspeto. O projeto é relevante, fundamental, importante, mas ainda assim de alcance limitado porque mantém as pessoas dependentes de corredores rodoviários.

Em países com redes ferroviárias modernas e eficazes, é comum a escolha de residência em lugares afastados dos centros urbanos. É habitual que pessoas que trabalhem em Oslo (Noruega) – rede de Metro com 80Km e 101 estações para 620 mil habitantes – ou Estocolmo (Suécia) – rede de Metro com 110km e 100 estações para 1.780 mil habitantes – residirem a 90 ou 100km do seu local de trabalho. Porém nas suas deslocações diárias, os cidadãos levam menos tempo a chegar ao centro de trabalho, utilizando transportes públicos, de que pessoas que residam em Sintra ou Loures que se situam a 10 km de distância. Lisboa, para uma população de 1.800 mil habitantes, possui atualmente 44.2km de rede e 56 estações.

Ou seja, nesta visão de cidade alargada, a ideia já não passa pela distância medida em km, mas na distância medida em unidades de tempo gastas e esse deve ser o objetivo para o desenho das políticas de transportes: Mais transportes, mas também mais rápidos.

É neste contexto que não alargar a rede de Metropolitano à Portela e Sacavém e a Loures é um erro estratégico. Pensar que o aumento da rede de transportes rodoviários permitirá fazer face a uma procura que se deseja crescente, atira-nos para o falhanço das políticas de cidade e assume-se como um erro fundamental para o desenvolvimento económico e social dos territórios urbanos da periferia isto porque, ao invés de os ligar e agregar valor, os mantém distantes entre si e perante o centro de decisão, gerando impactos negativos em todos os elementos sociais e económicos relevantes para a qualidade de vida dos cidadãos.

Sendo a rede de transportes disponíveis um fator de valorização do território, Moscavide e a Portela não podem deixar de estar na 1ª linha de defesa da extensão da rede de Metropolitano de Lisboa e, numa visão mais ampla, de quererem estar no centro da Cidade e no centro de decisão.

Porém os desafios que se colocam aos decisores políticos no âmbito dos transportes metropolitanos não se extinguem no tipo e quantidade de oferta. O desafio da modernidade e inovação em que a Freguesia de Moscavide e Portela quer estar presente e ter um papel ativo centra-se também na qualidade de oferta. A qualidade de oferta nos transportes públicos é um fator decisivo para a promoção da rede e na motivação da sua utilização no espaço metropolitano. Mais eficazes e mais cómodos, os transportes públicos do futuro deverão ser fiáveis, confortáveis e consistentes com uma visão de qualidade que se pretende para o modelo de oferta.

É neste caminho que estamos. Um caminho de exigência que nos leva a pensar o Transporte Público como um elemento fundamental da política de Cidades e um eixo central na definição de uma lógica de território que aproxime pessoas, lugares e histórias.

Deixo propositadamente o impacto ambiental da política de transportes – pela sua dimensão – para outro momento deste novo espaço “Olhos nos Olhos”. Um espaço que pretende uma “conversa” próxima entre si, que nos lê, e o seu Presidente de Junta para que saiba exatamente o que penso sobre os mais variados temas locais, regionais, nacionais ou até mesmo internacionais.

O Presidente, Ricardo Lima
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DE OLHOS NOS OLHOS | PRESIDENTE

De Olhos nos Olhos é um conjunto de reflexões do Presidente da Junta de Freguesia de Moscavide e Portela que, a partir de uma visão da freguesia, traça uma proposta de orientação estratégica para o futuro. Surge a partir da ideia de que os autarcas devem, hoje, ser uma voz ativa e um olhar atento para problemas que, situando-se para além das suas fronteiras administrativas, acabam por se traduzir em impactos para a freguesia e para os cidadãos que habitam ou trabalham na freguesia.

De Olhos nos Olhos é assim uma forma de comunicação direta que traduz uma preocupação em trazer para o debate e para a comunidade um conjunto de assuntos que nos tocam e devem ser alvo de reflexão alargada tendo sempre como objetivo envolver e estimular as pessoas à participação ativa e cívica.

Vamos Juntos. Primeiro as Pessoas!